Segundo algumas denominações cristãs, entre as quais a Católica e a Reformada, o baptismo é visto como um sacramento e o fundamento da comunhão entre todos os cristãos. Como tal vai proporcionar ao baptizando a benção e a graça de Deus. Segundo a doutrina da Igreja Católica, o baptismo não só é um sacramento de inclusão na Igreja, no Corpo Místico de Cristo, como também é necessário para a salvação.
Na Igreja Católica, o baptismo é dado às crianças (baptismo infantil) e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptizados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega directamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote).
"O rito essencial deste sacramento consiste em imergir na água o candidato ou em derramar a água sobre a sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" [1]. O Baptismo significa imergir "na morte de Cristo e ressurgir com Ele como «nova criatura»" [2].
O baptismo perdoa o pecado original e todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado. Possibilita aos baptizados a participação na vida trinitária de Deus mediante a graça santificante e a incorporação em Cristo e na Igreja. Confere também as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. Uma vez baptizado, o cristão é para sempre um filho de Deus e um membro inalienável da Igreja e também pertence para sempre a Cristo [3].
A Igreja Católica insiste no baptismo às crianças porque "tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus" [4].
Embora o baptismo seja fundamental para a salvação, os catecúmenos, todos aqueles que morrem por causa da fé (baptismo de sangue), [...] todos os que sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade (Baptismo de desejo), conseguem obter a salvação sem serem baptizados porque, segundo a doutrina da Igreja Católica, Cristo morreu para a salvação de todos. Quanto às crianças mortas sem serem baptizadas, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus, que é ilimitada e infinita [5].
Ordenança
Segundo algumas denominações, o baptismo é entendido como ordenança, isto é, ele é uma ordem. Porém deve se ter o cuidado de que não é o rito em si o que salva, nem a quantidade de água.
O batismo deve externar a aliança com Cristo, representando uma realidade interior (I Pedro 3:21). No caso de batismo de bebês, de nada adianta batizar se não houver ensino. Jesus ordenou que seus discípulos batizassem e ensinassem a guardar os seus mandamentos (Mateus 28:19-20).
Simbolismo
A água deve simbolizar a pureza e lavar.
Se por imersão, ainda assim deve haver o derramamento sobre o batizado, simbolizando o derramar e lavar do Espírito Santo e o ser revestido de Cristo. Assim sendo, a água em que se é batizado deve ser visivelmente limpa, corrente e pura. Se for mais de um batizando, o cuidade é maior ainda. Situações constrangedoras como roupa colada e transparente no corpo molhado do batizando quebram a reverência. Como Jesus não foi sepultado debaixo da terra, mas em uma rocha acima do nível do solo; não foi a família de Noé imersa, mas eles ficaram sobre as águas recebendo o derramar das águas; não foi o povo de Israel afogado no Mar Vermelho, mas sim os egipcios; então não se enterra pelo batismo, mas muda-se vida - morte para o mundo, vida em Jesus.
A borrifação se reporta ao Antigo Testamento, nos ritos de purificação, a qual era tipo da purificação pelo sangue de Jesus Cristo. Assim como acontece com o derramar da água, a maior dificuldade é de cunho cultural, visto que para um hebreu esta forma de purificação já era entendida. Assim sendo importa ressaltar que no batismo com o Espírito Santo é um derramar do Espírito.
ModosSão dois os principais modos de baptismo cristão:
Aspersão ou Efusão - baptismo onde a água é borrifada ou derramamada sobre o que é batizado.
Imersão - baptismo em que o que é batizado deve ser mergulhado na água.
ElementosExistem diferentes elementos usados no Baptismo.
No Antigo Testamento
Baptismo com Água - Assim foram purificados os [Levitas], através da aspersão de água. Em alguns momentos a água era misturada com algo do sacrifício, tal como cinza ou sangue. Em alguns casos eram lavados com água tanto de pessoas como de utensílios.
Baptismo com Sangue - Era a aspersão ou derramamento do sangue do sacrifício conforme instruídos na Lei de Moisés.
Baptismo com Óleo - Era usado na consagração do sacerdote, também chamado de unção sacerdotal. Havia a unção do rei.
Baptismo com o Espírito Santo - É mencionado como promessa nos profetas. No livro de Ezequiel, capítulo 36, versos 25 a 27, encontramos a profecia do novo nascimento e dos baptismos cristãos com água e com o Espírito Santo. O texto em Ezequiel é similar ao de Isaías 44.
No Novo Testamento encontramos
Baptismo com Água - Neste caso há a preferência por água pura, não se misturando com sangue ou cinza. Jesus Cristo é o cordeiro do sacrifício pela expiação dos pecados. O Novo Testamento afirma que Noé e os seus foram batizados na Arca usada no dilúvio.
Baptismo com Sangue - Jesus (Evangelho Segundo Marcos 10:38-39), diante do pedido de Tiago e João, seus discípulos, filhos de Zebedeu, se reportou a sua morte futura como um baptismo, tendo Ele derramado o seu sangue e Mediado uma Nova Aliança entre Deus e os homens, sendo Ele mesmo o sacrifício pelo pecado. Isto é reforçado na instituição da Ceia do Senhor. Seus discípulos que haviam afirmado desejarem ser batizados com o mesmo baptismo, morrera dando suas vidas por amor a Jesus. Pode ser usado quando uma pessoa é morta por defender a Fé Cristã.
Baptismo com o Espírito Santo - Cumpre a promessa e unifica os conceitos associados ao baptismo com óleo. Pedro em sua primeira carta afirma que o povo de Deus é sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva de Deus. O óleo é usado também no Novo Testamento como medicamento e sinal da presença de Deus.
Baptismo com Fogo - Jesus afirmou que batizaria com o Espírito Santo e com Fogo. O fogo, tal como no caso da cinza no Antigo Testamento, está associado à purificação, mas neste caso, conforme os textos dos Evangelhos de Mateus e Lucas, significa a destruição, onde a palha será queimada em fogo inextinguível.
Fora da Bíblia
Fé Católica Romana - Como a Fé Romana professa ser indispensável o baptismo para a salvação, foram criados recursos através da instituição de dogmas, tal como baptismo de desejo, onde alguém que tivesse morrido desejoso de ser batizado com água o seria de alguma forma nos céus. De certa forma, neste caso, o rito visível acaba não sendo tão indispensável e o catolicismo parece se aproximar das igrejas protestantes.
Outras religiões - Como rito de passagem de admissão.
ParalelosNa Bíblia o baptismo recebe paralelos com:
a circuncisão - Colossenses 2:11-12 e I Pedro 3:21.
arca de Noé - I Pedro 3:20-21.
nuvem e mar do povo de Israel no êxodo do Egito - I Coríntios 10:1-2.
Neste último texto, I Coríntios 10:1-4, temos os dois sacramentos: Baptismo e Santa Ceia.
Idade
Um baptismo infantil em uma igreja alemã.Baptismo Cristão Adulto - Baptismo de arrependimento e remissão de pecados, o qual deve ser ministrado naquele que reconheça a sua natureza pecaminosa, que busca depender de Deus e que reconheça o senhorio de Jesus Cristo sobre sua nova vida. Esta deve ser uma ação voluntária do pecador arrependido, o qual se dispõe a perder a sua vida e depender de Jesus. Nenhum valor tem o símbolo se isto não parte de um novo coração. Sua liberdade deve ser limitada pelo amor. A independência dá lugar à dependência.
Baptismo Cristão Infantil - realizado em crianças, sob a autoridade de seus pais ou tutores de sua educação religiosa e formação do caráter. Não se trata de baptismo de arrependimento, mas de baptismo de consagração, similar à apresentação daqueles que não batizam crianças. Tanto na apresentação como no baptismo infantil, o propósito é reconhecer as crianças como parcipantes do Reino de Deus e de suas promessas, devendo estas ser ensinadas a guardar todas as coisas que Jesus ordenara. Nenhum dos dois tem valor se tutores, ao invés de serem guias e modelos de vida, forem obstáculos para que os pequeninos cheguem verdadeiramente a Jesus. Igualmente não isenta os filhos de professarem sua fé diante de Deus e das demais pessoas em seu dia-a-dia.
Aplicação no Novo Testamento
Jesus ordenou aos Apóstolos e a todos quantos fossem por Ele enviados. Filipe, por exemplo, não era apóstolo e batizou várias pessoas, enquanto que o Apóstolo Paulo, afirmou que Cristo não o enviou para batizar, mas para pregar o evangelho (I Coríntios 1). O baptismo deve ser feito em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e o batizado deve ser ensinando em todas as coisas que Jesus ordenara (Fórmula Baptismal).
Os apóstolos baptizavam em nome de Jesus Cristo. Veremos isso em Atos 2:38, Atos 8:12 e 16, Atos 10:48, Atos 19:3 a 7, Atos 22:16, Romanos 6:3, Colossences 3:17. Por isso há quem diga que eles contrariaram a ordem de Jesus dada em Mateus 28:19.
Pelo baptismo de arrependimento e remissão de pecados está morto o velho homem espiritual, sepultado com Cristo, a fim de que, como Cristo, o novo homem, venha a ressuscitar (Colossenses 2:12).
No baptismo cristão, o que fora baptizado assume uma aliança com Cristo. Esta aliança representa o ato de filiação junto a Deus, tornando-se o baptizado parte integrante da Igreja.
O profeta João Baptista aplicava o baptismo com "água" aos que professavam o arrependimento e buscavam a remissão dos seus pecados. Conforme sua profecia, Cristo viria para baptizar com o "vento", isto é, com o Espírito Santo (em grego πνευματι αγιω) e com "fogo". Este último, conforme João 3:16 e 17, se traduzirá na purificação final, onde as obras do homem passarão pela prova do fogo (Mateus 7:19; 13:30,40; I Coríntios 13:12-15; II Pedro 3:5-13; quase todo o Livro de Apocalipse). É interessante a presença destes elementos nestes versos da Bíblia: água, vento e fogo.
Jesus o baptiza com o Espírito Santo para a edificação da Igreja e para o seu desenvolvimento, dia-a-dia, alimentado pelo Cordeiro e Pão da Vida, purificado pelo sangue de Cristo.
Os católicos romanos entendem que foi no dia de Pentecostes que o apóstolo Pedro recebeu as chaves do reino dos céus mencionadas em Mateus 16:19 e essa chave foi usada no dia de Pentecostes, quando Pedro abriu através do baptismo em nome de Jesus Cristo, e as pessoas receberam o dom do Espírito Santo após o ato batismal que é a salvação da alma Efésios 4:30. Os protestantes defendem, contudo, que quem tem as chaves da morte e do inferno é Jesus (Apocalipse 1:18); sendo também a Porta. Pedro foi o porta-voz anunciando as chaves do reino no Pentecostes.